Escrever um bom livro nunca foi suficiente para garantir leitores. Essa frase incomoda muitos autores, mas ela descreve com precisão o cenário atual. Vivemos em um ambiente de excesso de oferta, atenção fragmentada e escolhas rápidas. O leitor não acorda pensando em “descobrir uma joia literária desconhecida”; ele navega, pesquisa, compara, sente e decide. E essa decisão acontece muito antes da leitura. Para escritores independentes, compreender como estratégia, SEO e comportamento do leitor se entrelaçam deixou de ser opcional e passou a ser parte essencial do trabalho autoral. Escrever é um ato solitário, mas publicar é um ato relacional. A palavra “estratégia” costuma causar resistência no meio literário porque é associada a algo frio, mercadológico ou artificial. Mas, no contexto da escrita independente, estratégia significa simplesmente intenção. É decidir conscientemente como o seu livro será encontrado, percebido e escolhido. SEO, por sua vez, não é um truque técnico reserv...
Há uma ideia romântica, muito comum entre escritores — especialmente entre escritores independentes — de que os leitores escolhem livros movidos apenas pela qualidade literária do texto. Como se, diante de uma prateleira real ou virtual, o leitor tivesse uma espécie de radar estético infalível, capaz de identificar imediatamente a obra mais bem escrita, mais profunda ou mais original. A realidade, porém, é bem menos idealizada e muito mais interessante. Leitores escolhem livros como escolhem qualquer outro produto cultural: a partir de sinais, percepções, promessas e experiências prévias. Entender esses mecanismos não diminui a literatura; ao contrário, permite que ela chegue a mais pessoas. E literatura, no fim das contas, sempre foi isso: um encontro. O primeiro ponto que todo escritor independente precisa aceitar é simples, ainda que desconfortável: o leitor não deve nada ao autor. Ele não tem obrigação de dar uma chance, de “insistir” em algumas páginas, nem de sep...